quinta-feira, 25 de setembro de 2008

África Minha


“O empobrecimento dos países africanos por mecanismos de dependência externa é uma das principais causas do fenómeno migratório africano. O cancelamento das dívidas deve ser o primeiro passo para travar êxodo, avaliam activistas.”.


Verena Glass – Carta Maior
http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-gerais/2007/janeiro-2007/divida-externa-na-africa-e-fator-decisivo-do-processo-migratorio/

Um dos maiores problemas a nível mundial é o endividamento da maior parte dos países africanos, o que provoca uma forte migração para países à procura de melhores condições de vida.
Eu levanto uma pergunta, para alem dos anos de colonialismo, de roubos e violações humanitárias, que factura, ainda terá de pagar África para ser livre.
Todos temos consciência que o Continente da Terra Vermelha é um dos mais ricos do mundo, no entanto é assolado por guerras, fome, doenças e como se não bastasse, é escravo económico de estados primeiro mundistas.
É urgente que alguém olhe para África e resolva de uma vez por todas perdoar a divida externa dos países deste continente, é impreterivelmente necessário que se procure ajudar no seu desenvolvimento económico.
É ainda imprescindível que os principais países mundiais estabeleçam alguma estabilidade política e social que contribua para o seu desenvolvimento, assim como para a fixação das suas populações.
Todas estas ajudas contribuiriam logicamente para acabar com a corrupção dos seus líderes, para a criação de postos de emprego, para uma melhoria nos recursos sanitários e de higiene e consequentemente para a melhoria na esperança media de vida.
Ao ajudar o continente africano não só nos redimimos por todo o mal que lhe fizemos ao longo da história, como também nos ajudamos a nós, ao acabar com a emigração clandestina. É importante que vejamos que são vidas humanas que estão em causa.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Yanomami


Os yanomami são uma sociedade de caçadores – recolectores da floresta tropical da Amazónia (norte). O contacto destes nativos com homem branco ocidental é recente, supomos que foi através de caçadores, viajantes ou garimpeiros, entre 1910 e 1940.
Actualmente cogitasse que existam cerca de 26 mil yanomamis, estando distribuídos em ambos os lados da fronteira, Brasil – Venezuela, ocupando uma área de aproximadamente 192.000 km ².
Em meados da década de 60 foram estabelecidos os primeiros contactos permanentes com os yanomami através de missões evangelizadoras, foi também através destas incumbências que se estabeleceram pólos de sedentarismo na região. Estes postos visavam prestar alguma assistência sanitária e médica, porem através deste contacto permanente, foram surgindo diversas epidemias, como é o caso da gripe, sarampo e coqueluche.
Nas décadas de 70 e 80 o Estado submeteu os yanomami a formas massivas de contacto com a fronteira económica regional em expansão, tenta assim a colonização. Estes contactos provocaram um forte choque epidemiológico que atingiu grandes proporções, levando a um grande número de baixas demográficas e a uma degradação sanitária generalizada, assim como a grandes fenómenos de desnaturação social.

Nota Crítica

Num mundo perverso e efémero como é o nosso, os yanomami ainda era até há bem pouco tempo seres virgens, a nossa civilização ainda não os tinha penetrado com a violência da modernidade.
Estes povos nativos viviam estipulados pelas suas leis, baseados na sua economia de subsistência, acreditando nos seus xamãs e sobretudo viviam longe de epidemias. Com a chegada do Homem Branco e com as suas “maravilhas civilizadoras”, tudo se alterou, a sociedade yanomami foi brutalmente profanada com a “Luz do conhecimento” e consequentemente com as epidemias, doenças e morte.

Sites Interessantes:

http://www.pegue.com/indio/yanomami.htm
http://www.socioambiental.org/pib/portugues/indenos/yanomami.shtm
http://www.comciencia.br/reportagens/amazonia/amaz10.htm
http://www.arara.fr/BBTRIBOYANOMANI.html

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Resposta Está no Vento...


Blowin' In The Wind (tradução)
Bob Dylan


Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo homem?
Sim e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar
Antes que possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes precisarão as balas de canhão voar
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento
Quantos anos pode existir uma montanha
Antes que seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir
Até que possam ser livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar a sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento
Quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Até poder ver o céu?
Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter
Até que possa ouvir o povo chorar?
Sim e quantas mortes custará até que ele saiba
Que pessoas demais já morreram?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Deixo que os leitores do blog comentem, eu estou sem comentários.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pometeu Agrilhoado

“Prometeu, em mitologia grega, (em grego, Προμηθεύς — "premeditação") é um titã grego, filho do titã Jápeto e de Ásia, também chamada de Clímene, (filha de Oceanus) (segundo alguns autores, sua mãe seria Témis) e irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio.”


Hoje trouxe a este espaço, uma das figuras da mitologia grega, que eu mais aprecio, o Prometeu.
Este titã foi incumbido de supervisionar o seu irmão, que tinha a tarefa de criar todos os animais e todos os seres humanos do mundo. Enquanto a uns dava a força, a outros dava a coragem, a uns dava garras e a outros dava cornos, assim os foi criando.
No entanto uma condição teria de ser respeitada, o Homem teria de ser o mais bem dotado, de tal maneira que pudesse domina-los todos.
Epimeteu após ter criado todos os animais, já não possuía mais recurso, assim não poderia criar o Homem. Foi então que Prometeu, junto com Minerva, decidiram roubar o fogo aos Deuses, todavia o fogo era exclusivo deles.
Prometeu foi castigado por Zeus, seria agrilhoado no Cáucaso por Hefesto, e todos os dias um abutre ou uma águia, comeriam um pedaço do seu fígado, dada a sua imortalidade o seu fígado regenerava-se e Prometeu teria um castigo por 30.000 anos.
Prometeu foi libertado por Hércules, que após ter concluído os seus 12 trabalhos dedicou-se a aventuras, mas no lugar dele, deveria ficar o Centauro Quìron, era uma exigência para que fosse libertado.

A peça de treatro foi primeiramente encenada por Ésquilo no século V a.C. dando a perspectiva clássica ao mito, por sua vez outros autores lhe seguiram, entre eles Franz Kafka e E.Miller, estes autores acrescentaram algo à trágica história do titã.
Prometeu personifica a ousadia, o fogo símbolo do conhecimento foi roubado aos deuses e dado aos humanos. O conhecimento é o que nos distingue, saber ajuizar e tomar decisões conscientes torna-nos singulares.
Tenho pena de não haver por esse “mundo foram uns quantos Prometeus”.

"Encobre o teu Céu ó Zeus
com nebuloso véu e,
semelhante ao jovem que gosta
de recolher cardos
retira-te para os altos do carvalho ereto
Mas deixa que eu desfrute a Terra,
que é minha, tanto quanto esta cabana
que habito e que não é obra tua
e também minha lareira que,
quando arde, sua labareda me doura.
Tu me invejas!
(...)
Eu honrar a ti? Por quê?
Livraste a carga do abatido?
Enxugaste por acaso a lágrima do triste?
(...)
Por acaso imaginaste, num delírio,
que eu iria odiar a vida e retirar-me para o ermo
por alguns dos meus sonhos se haverem
frustrado?
Pois não: aqui me tens
e homens farei segundo minha própria imagem:
homens que logo serão meus iguais
que irão padecer e chorar, gozar e sofrer
e, mesmo que forem parias,
não se renderão a ti como eu fiz"


Goethe Prometheus 1774.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


“A Lehman Brothers vai hoje apresentar a declaração de falência na Câmara de Falências de Nova Iorque, depois de perdas de cerca de 3,9 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) no terceiro trimestre do ano, devido a depreciações nos seus activos devido à crise no mercado imobiliário.”
Fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=331272


A economia mundial está a atravessar momentos difíceis, o escalar vertiginoso do preço do crude, a precariedade dos empregos ou mesmo a falta destes, e a elevada taxa de juro à habitação, são factores que contribuem para a crise.
No meu ponto de vista, um dos principais culpados por esse facto são os próprios bancos, ou seja, com a sua ganância e protegidos por todos os governos, praticam taxas de juro insuportáveis.
Por necessidade as pessoas adquirem créditos que a vida mais tarde não lhes permite suportar o pagamento da prestação, assim os bancos accionam a hipoteca e ficam com os imóveis, e essa espiral em queda provoca o congestionamento da economia, por uma lado os bancos não recebem o dinheiro, e por outro lado não conseguem vender os imóveis pois não existem compradores.
Temos de travar essa situação, não podemos ser vítimas de usura como temos sido até hoje, todos temos direito à habitação, todos temos o direito a um emprego e a viver condignamente, não podemos ser apenas um brinquedo nas mãos do capitalismo desmedido.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Miserável Publicidade


No outro dia vi uma situação extremamente lamentável, era domingo de manhã, estava uma manhã linda, a cidade estava cheia de turistas e de habitantes a passear com os filhos, pessoas a andar de bicicleta e a passear com os seus cães. Era um dia de filme.
Decidi comprar a revista Sábado, pois uma reportagem na capa chamou a minha atenção. Sentei-me numa esplanada e sendo perto da hora de almoço, devorei a revista acompanhada por dois finos.
Naquele momento idílico tudo era perfeito, até chegar à página em que mostrava uma outra reportagem(não a que me levou a comprar a revist) ,que falava da campanha, de uma publicidade, da marca Vogue, praticada na India.
Fiquei realmente deprimido com a campanha da prestigiada marca, esta consiste em retratar pessoas pobres, que ganha menos de 0.90 euros por dia, vestidas com artigos de luxo.
Numa das muitas fotos que para mim troçam da triste e miserável realidade daquelas pessoas, pode ver-se uma criança com um babéte, ao colo de uma senhora de idade desdentada, é-me pertinente relembrar que aquele amparo de baba custa mais de 70 euros.
Fico perplexo com a falta de ética da marca, mas maior défice de bom senso tem quem adquire os seus produtos.
Que mundo este…

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Tiros de Liberdade



Cantar Alentejano
Zeca Afonso



Cantar Alentejano
Zeca Afonso
Chamava-se Catarina

O Alentejo a viu nascer

Serranas viram-na em vida

Baleizao a viu morrer

Ceifeiras na manha fria

Flores na campa lhe vao pôr

Ficou vermelha a campina

Do sangue que entao brotou

Acalma o furor campina

Que o teu pranto nao findou

Quem viu morrer Catarina

Nao perdoa a quem matou

Aquela pomba tao branca

Todos a querem p'ra si

O Alentejo queimado

Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra

Bate as asas p'ra voar

O Alentejo esquecido

Inda um dia hás-de cantar


Poema de Vicente Campinas "Cantar Alentejano"



Hoje, o nosso blog presta homenagem a uma grande mulher, que está perpetuada na história recente do nosso país, Catarina Eufémia. Este nome é um dos maiores símbolos da resistência ao regime fascista, que se instaurou em Portugal.
Catarina Efigénia Sabino Eufémia ( Baleizão, 13 de Fevereiro 1928 – Monte do Olival, Baleizão , 19 de Maio de 1954) – Era uma ceifeira portuguesa, mãe de três filhos, que foi assassinada a tiro pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana.
O seu assassinato adveio no seguimento de uma greve de assalariadas rurais, esta encontrava-se com um dos seus filhos ao colo, quando foi atingida mortalmente.
Actualmente Catarina Eufémia é uma das principais fontes inspiradoras para os agrilhoados, retrato dessa realidade é o facto de ter servido de musa inspiradora, para poetas e cantores. O nosso poema de hoje é da autoria de Vicente Campinas, e já foi cantado por outro do mais nobres emblemas da resistência ao regime, Zeca Afonso.